Gostou? compartilhe!


Danielle M. Bohnen
O ser humano retira da natureza todos os recursos necessários para a criação de objetos e materiais que são utilizados no seu dia-a-dia. Com a energia elétrica não poderia ser diferente. Observando o curso da história da produção de energia podemos notar que os grandes gênios responsáveis pela eletricidade tal como a conhecemos hoje, utilizaram diferentes materiais para seus experimentos. Dentre eles, Stephen Gray, cientista inglês, constatou que certos objetos quando friccionados apresentam corrente elétrica que pode ser passada para qualquer coisa que o toque, ao passo que outros apresentavam mais dificuldade para conduzir um corrente. Assim, denominou os do primeiro tipo de “condutores” e os demais de “não-condutores”. A partir das descobertas de Gray, os cientistas puderam testar quais materiais eram mais apropriados para suas próprias experiências. Assim passaram a utilizar minerais que apresentam maior condutividade que outros tipos de materiais.
 
Cabo de cobre
 Atualmente é sabido que certos minerais são melhores condutores do que outros. A prata e o ouro são os minérios que apresentam menor resistência para a passagem da corrente elétrica, por isso, são melhores condutores. Porém, por seu custo elevado, o alumínio e o cobre são os minerais mais comuns para todo o tipo de uso. A diferença entre os dois é bastante grande. O alumínio, apesar de apresentar um peso inferior, tem a resistência 65% maior que o cobre. Alem disso é mais vulnerável a danos e apresenta maior dilatação quando exposto a temperaturas elevadas. Sendo assim, o cobre é o material que está em primeiro lugar, largamente usado para transmissão de redes, aparelhos eletrônicos, condução de energia em longas distancias, industrias, etc.
 
Cobre
A utilização do cobre data entre 8000 e 4000 a. c., com o descobrimento de um colar de bronze no Iraque em 1991. Por alguma razão o homem neolítico fundiu cobre com estanho no fogo e descobriu que o resultado é um material mais resistente para a fabricação de armas e outros objetos, assim o ser humano passa da idade da pedra para a Idade do bronze, foram descobertos muitos utensílios feitos desse material por todo o mundo datados nesse período. Alem do colar no Iraque, foram encontradas moedas, armas e outros objetos sumérios e egípcios. Na China, há mais de 2000 anos o cobre foi descoberto e refinado ao ponto de uma qualidade superior. O povo fenício costumava importar o minério da Grécia, porém logo encontrou fontes desse mineral em seu próprio território, Chipre, que se localiza entre Grécia e Egito. Os romanos nomearam o metal decyprium ou cuprum, - que sigfinica metal da ilha e Chipre - originando nome atual. O uso do cobre continuou durante a Idade Média para a fabricação de armas, moedas e utensílios diversos.
 
Colar de cobre
O cobre pode ser obtido puro diretamente da crosta terrestre, ou a partir de outros materiais que apresentam cobre em menor quantidade, como é o caso da pirita, calcosina, covelina, calcopirita, bornita, azuquita e malaquita. Os países ricos em cobre são Estados Unidos, Inglaterra, Egito, Rússia, Japão, Congo e Chile. No Brasil, não existe grandes quantidades desse mineral, o que já foi encontrado são pequenas quantidades em forma nativa e, em maior quantidade, em forma de sulfetos, em Viçosa no Ceará. Por não apresentar quantidades consideráveis de cobre nativo, se torna pouco rentável sua exploração em solo brasileiro. Portanto, a exploração é voltada aos compostos que se apresentam em quantidade considerável por todo território nacional. As principais jazidas se localizam na Bahia, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, de onde são retirados principalmente, zinco e níquel para a obtenção do cobre. O minério é utilizado em larga escala no mundo inteiro, sendo 60% do total refinado é destinado ao uso de transmissão de energia elétrica. 
 
 
Cobre nativo                          Pirita
As propriedades do cobre são, segundo Carlos A. Rojas da Unoversidade Federal do Paraná:
 
“Físicas:
metal de cor rosa avermelhado.
Densidade: 8,9 kg/dm3.
Ponto de fusão: 1083 ºC.
Resistividade elétrica: 0,0171 mm2/m (cobre + 0,04 %
O2).
Coeficiente de dilatação a 20 ºC: 16,5.10-6 por ºC.
Químicas:
A água pura não exerce ação nenhuma sobre o cobre,
qualquer que seja a temperatura. A temperatura comum, o
ar úmido provoca a oxidação do cobre. Há a formação de
uma camada superficial de vedete que protege o metal de
um ataque em profundidade. O cobre é atacado por todos
os ácidos.
Mecânicas:
Variam muito, segundo o estado do metal. O cobre é
dúctil e maleável a frio, contudo, este trabalho leva a um
estiramento intenso que se pode fazer desaparecer, em se
procedendo a um recozimento”.
 
O cobre e o Organismo
O nosso corpo também necessita de cobre para o seu pleno funcionamento. Ele se torna essencial por ser responsável por diversos processos metabólicos das enzimas. Ele ajuda, por exemplo, na defesa dos radicais livres, participa da síntese da elastina e do colágeno, tornando-se essencial para a pele, participa também na síntese dos hormônios da tireóide. A deficiência do cobre pode causar fios brancos nos cabelos, anemia, já que o cobre ajuda na absorção do ferro, osteoporose e insuficiência cardíaca. Já o seu excesso pode causar, vômitos, dores epigástricas e hemólise.
 
Panela de cobre
Existem doenças serias causadas pela deficiência ou excesso de cobre no organismo. Algumas delas estão associadas à predisposição genética do paciente. Como é o caso de pessoas que sofrem da Doença de Menkes, que é uma mutação genética associada ao cromossomo X. A proteína responsável pela absorção e distribuição do cobre tem seu funcionamento comprometido, o que gera deteorização cerebral gradativa, cabelo frágil e quebradiço, por isso é também conhecida comosíndrome dos cabelos torcidos. A mutação é passada pelas mães, porém somente os filhos homens apresentam a doença.
 
Mina Chuquicamata
Já o excesso de cobre no organismo pode causar a Doença de Wilson. Essa síndrome é um distúrbio do gene ATP7B, que causa alteração no transporte do cobre gerando seu acumulo no fígado, rins, córneas, tecidos e cérebro. As pessoas portadoras dessa doença sofrem distúrbios hepáticos e renais, anormalidades motoras, osteoporose, anemia entre outros sintomas. As alterações podem ocorrer durante toda a vida da pessoa, sendo mais comum os casos em que se manifesta cerca dos 25 anos.
 
Cuidados
O cobre é também um material tóxico. O sulfato de cobre é letal e deve ser manejado de forma responsável. Nas metalúrgicas e nas minas é necessário o uso de luvas, mascara e óculos. Cobre em pó pode provocar dor de garganta, problemas respiratórios e dores de cabeça. Deve-se ter precaução já que reage com oxidantes podendo, assim, causar explosões. A água pode ser contaminada com o manejo irresponsável e por abandono de minas, que contaminam lençóis freáticos e rios. A água quando contaminada, apresenta uma coloração avermelhada, odor e sabor característicos o que a torna não apropriada para o consumo. Utensílios feitos de cobre devem ter atenção de manutenção, já que pode contaminar os alimentos, roupas, etc.
 
Tubo de cobre
Bibliografia:
www.procobre.org.br
Wikipedia
www.medicinacomplementar.com.br
ROJAS, Carlos. O Cobre e sua obtenção. UFPR
www.coladaweb.com
www.dicionariosdesindromes.blogspot.com
www.hepcentro.com.br



Gostou? compartilhe!