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Stephen Gray

 
Nos dias atuais, nada seria possível sem a energia elétrica, já que o mundo se move pela eletricidade e também, na mesma velocidade que ela. Pode ser uma conclusão um tanto relativa, mas é fato que as descobertas e invenções proporcionadas pela energia elétrica são responsáveis pela forma que o mundo é hoje e, principalmente, pela forma como a humanidade pensa e interage com o mundo. A palavra eletricidade tem origem na Grécia antiga, quando Tales de Mileto, esfregando um pedaço de lã em um âmbar, que em grego é “elektron”, constatou que este tinha um comportamento curioso de atrair objetos para si. Mais de dois mil anos depois, um inglês, William Gilbert constatou que outros materiais, como pedras preciosas, quando friccionados por certos materiais apresentavam o mesmo comportamento do âmbar. Gilbert atribuiu à propriedade de objetos atraírem outros corpos de força elétrica, um “fluido”, que, segundo ele, depois de removido pela fricção, deixava uma “emanação”. No século XVII, um físico chamado Otto Von Guericke construiu uma máquina que consistia em uma bola de enxofre girando em um eixo horizontal enquanto friccionada com a mão do operador. A esfera acumulava eletricidade que, devido ao atrito, era descarregada em forma de faíscas enquanto que a esfera apresentava um comportamento similar ao do âmbar de Tales e as pedras de Gilbert.

 

Willian Gilbert
Stephen Gray, cientista inglês, friccionou um tubo de vidro oco que atraiu penas. Depois vedou as extremidades do tubo com rolhas e repetiu a experiência, logo as penas foram atraídas não só pelo tubo, mas também pelas rolhas, ficando clara a existência da eletricidade e sua capacidade de se movimentar. A fim de testar as distâncias que a eletricidade era capaz de percorrer, prendeu uma vareta de metal com uma bola de marfim pendurada em uma das rolhas, friccionou somente o vidro constatando que a bola também passou a atrair as penas, observou a movimentação da eletricidade através dos objetos, denominando esse fenômeno de “corrente elétrica”. Usando pedaços de barbantes, cada vez maiores, ele testou as distâncias entre a bola e o vidro, ambos atraíam as penas, mas quando prendeu o barbante com pregos, a atração parou. Constatou que por algum motivo, a eletricidade estava ausente, atribuiu aos pregos a culpa pelo fracasso da experiência, então os cobriu com seda, assim a eletricidade voltou. Depois experimentou trocar a seda por latão, mas a corrente de novo desapareceu, ele concluiu que o material para revestir os pregos tinha importância fundamental na movimentação da corrente. Denominou de “condutores” os materiais que conduziam melhor a corrente elétrica e os que a eletricidade era conduzida com dificuldade, denominou de “não-condutores”.
 
Garrafa de Leyden
Gray, concluiu que alguns objetos necessitavam de fricção para atrair outros, pois os não-condutores precisam ser eletrificados mantendo a eletricidade em si, já os materiais condutores quando friccionados, geram eletricidade que logo é passada para qualquer coisa que o toque. A partir das descobertas de Gray, um químico francês chamado Charles Francis Du Fay, realizou experiências com pedaços de cortiças revestidas com ouro. Ele pendurou dois pedaços lado a lado, depois eletrizou um bastão de resina e outro de vidro. Quando tocou o bastão de resina em um dos pedaços e o bastão de vidro no outro, observou que as duas cortiças se atraiam uma para a outra. Depois tocou com o mesmo bastão os dois pedaços, observou uma repulsa entre eles. Concluiu então, que havia dois tipos de fluidos, vítreo e resinoso, quando os pedaços ficavam cheios de fluidos diferentes, atraíam-se, já quando cheios de fluidos iguais, repeliam-se.

 

 

Benjamin Franklin

 
Pieter van Musschenbroek, professor da Universidade de Leyden na Holanda, foi o inventor da famosa “garrafa de Leyden”, uma estrutura de vidro com a base de metal e uma vara de latão. A eletricidade pode ser acumulada dentro da garrafa. Quando a garrafa era descarregada por fio de metal, material condutor, o fluido fazia esquentar e derreter o fio, gerando uma série de estalidos. Observando esse fenômeno e a dúvida sobre de onde vinha a eletricidade, Benjamin Franklin, por volta de 1750, constatou que todos os objetos são dotados de eletricidade, porém se comportam como não-eletrizados, pois quando o objeto é friccionado uma quantidade de fluido é retirada ou passada para ele, ficando com mais ou menos fluido. Denominou o objeto que tem mais fluido “carregado positivamente”, e o que tem menos de “carregado negativamente”. Quando dois objetos carregados positivamente eram aproximados, se repeliam, pois já tinham cargas suficientes, assim acontecia com os carregados negativamente, nenhum “cede” a eletricidade para o outro, pois têm menos que o suficiente. Quando dois objetos com cargas opostas são aproximados, há atração, pois o positivo “doa” o excesso ao negativo, assim se neutralizam. Franklin determinou que o vidro era carregado negativamente e a resina positivamente. Mais tarde, cientistas descobriram que, na realidade o vidro é carregado positivamente e a resina negativamente. Franklin entendeu que a garrafa se enchia de um tipo de carga. Notando que a carga do metal da cobertura da garrafa em um dos lados do vidro era negativa, enquanto que o metal do outro lado do vidro era positiva. O vidro impede que as cargas se unam, mesmo assim, elas se atraíam. Franklin provou que os raios são um fenômeno da natureza elétrica, comparando a descarga da garrafa, e seu som
 
 
Alessandro Volta
 
característico com o comportamento dos raios e trovões em uma tempestade. Segundo ele, as nuvens poderiam ter uma carga contrária à da terra e, o ar, um não-condutor, separando as duas cargas. Quando as nuvens, cheias da mesma carga começasse a ceder, haveria um grande descarrego da carga em direção ao seu oposto, criando uma semelhança com a “garrafa de Leyden”, os estalidos seriam o trovão e a faíscas o raio. Para provar sua teoria, Franklin armou uma pipa com uma vara de metal na armação, nessa vara amarrou um barbante e no barbante amarrou uma chave, que tocou a “garrafa de Leyden”, esta se encheu de carga. Franklin provou que no laboratório, acontecia o mesmo que na tempestade, concluindo que o raio é uma descarga elétrica. Dessa forma, ele criou o primeiro pára-raios, pois uma casa com uma armação de metal fica a salvo de ser atingida já que, a armação recebe a descarga elétrica levando-a à terra.

Alexandre Volta, cientista italiano, foi o responsável pela descoberta de que se pode obter eletricidade sem a necessidade de fricção. Ele dispôs de várias tigelas de água com sal ligadas uma na outra alternando fios de cobre e estanho, de cargas positiva e negativa, respectivamente. O último fio de estanho foi ligado ao primeiro fio de cobre na outra extremidade. O excesso de carga foi percorrendo todo o percurso até a capacidade química dos materiais perdurassem, produzindo assim uma corrente elétrica. Como Volta utilizou diversas tigelas dispostas em fila, chamou sua invenção de “pilha”. Como a corrente não saía do circuito, foi denominada como corrente “estática”. Depois de Volta, muitas experiências passaram a ser testadas com as pilhas, descobrindo-se que fenômenos elétricos podiam produzir fenômenos químicos e vice-versa. Humphy Davy, conseguiu dissolver substâncias rochosas com a corrente elétrica, obtendo metais até então desconhecidos. Hans Cristian Oersted, descobriu que corrente elétrica tinha uma ligação estreita com o magnetismo. Michael Faraday foi responsável por criar o primeiro “gerador elétrico”, um disco de cobre que girava movido por uma máquina a vapor. Joseph Henry uniu as experiências de Faraday com suas próprias e criou o primeiro motor elétrico. A partir daí, os eletrônicos começaram a ser inventados. Já em 1878, nos Estados Unidos, Thomas Alva Edison utiliza a energia elétrica para obter luz. Edison usou um filamento de algodão

 
 
Nikola Tesla
 
carbonizado, preso dentro de um bulbo de vidro a vácuo. O filamento aquecia-se com a passagem da corrente elétrica e tornava-se incandescente, ficava aceso por 48 horas consecutivas sem queimar. Edison utilizava correntes elétricas contínuas como base de suas invenções. Um de seus assitentes, Nikola Tesla, opôs-se a essa teoria e apresentou ao mundo a idéia de correntes alternadas. Tesla descobriu que não era necessário fios para que a energia pudesse ser transportada, assim criou o primeiro “transformador amplificado”, na tentiva de iluminar o mundo gratuitamente. Interesses políticos e coorporativos impediram suas pesquisas para esse fim, assim criou um projeto que disfarçava seus interesses, conseguindo verba para suas pesquisas. Seu projeto era um rádio transmissor, mas abandonou para continuar pesquisas em torno da transmissão de energia elétrica sem fio. Um de seus assistentes, Guglielmo Marconi, continuou pesquisas com o transformador e inventou o rádio. Tesla foi considerado cientista maluco, inspiração para muitos vilões da ficção, principalmente pela sua teoria do “raio da morte”. Segundo ele um raio formado por energia elétrica e conduzido pela atmosfera era possível e seria uma grande arma de destruição em massa à distância. Louco ou não, as correntes elétricas alternadas é o que move o mundo hoje.

 

 

 




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